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[Indicação] Por que conhecer os livros da Kate Morton?


Não sei se isso pode acontecer com você, mas existem alguns autores que me conquistam logo de cara. Não sou o tipo de leitora que cria grandes expectativas ou do tipo que está sempre disposta a encontrar problemas na história. Gosto de livros que me surpreendam e por isso tento manter minhas expectativas baixas antes de começar uma nova leitura. Por vezes, isso me ajudou a sobreviver a histórias que não me agradaram, mas na grande maioria, sou surpreendida por personagens cativantes e histórias bem desenvolvidas. Mas ainda assim não é qualquer livro que entra para minha lista de favoritos ou que me deixa interessada em ler outras histórias do mesmo autor. Não que existe uma fórmula mágica... Talvez você, como leitor, consiga entender quando digo que há autores que inesperadamente se instalam em nosso coração e lá permanecem por um longo tempo.

Talvez você sequer precise conhecer todos os livros escritos por esse autor, talvez você só tenha lido um único livro dele. Mas essa experiência (mesmo que pequena) tenha sido o suficiente para criar um vinculo entre leitor e autor, algo que compartilhamos com tantos nomes presentes em nossas estantes.

Venho colecionando vários nomes assim. Autores como Harlan Coben, Jane Austen, Conan Doyle, Vinicius Grossos, Kristin Hannah... São tantos e me sinto imensamente feliz por ter conhecido cada um deles. Há três anos, incluí uma autora nessa lista. Foi graças a Editora Arqueiro, que passou a publicar os livros dela no Brasil, que tive a chance de conhecer uma história cativante e que me surpreendia a cada novo capítulo. Há outras publicações da autora por outras editoras no Brasil, mas o primeiro livro da Kate Morton pela Arqueiro foi publicado apenas em 2017, depois veio mais um em 2018 e só em 2020 a editora publicou outro livro.

Kate Morton está frequentemente nas listas de mais vendidos em todo o mundo. Seus livros já atingiram a marca de mais de 10 milhões de exemplares em 42 países, sendo traduzidos para 34 idiomas. Autora australiana, formada em arte dramática e literatura inglesa, especializada em tragédias do século XIX .


O primeiro livro que tive contato foi “A Casa do Lago” (você pode conferir a resenha dele aqui), uma história dividida entre o passado e o presente, desvendando um segredo que há muito tempo esquecido. Nele você irá conhecer a história da família Edevane na Cornualha. Uma família de posses e que sofreu com o desaparecimento de uma criança. Um mistério que nunca foi resolvido e que décadas depois estaria a ponto de ser revelado.

Enquanto a autora conduz o leitor para os momentos do passado, revelando aos poucos o que aconteceu na noite do desaparecimento da criança, ela vai apresentando as consequências desse segredo, como a vida de cada um foi transformada. Todos os personagens nessa história se destacam e ganharam a minha atenção. Desde a Alice, que estava presente nos dois períodos da história, até a detetive que está em busca de respostas para esse caso. Nenhum deles pode ser ignorado e isso vai foi me conquistando durante toda a leitura. São personagens que carregam uma historia além da que está sendo contada. É impossível não se apaixonar por cada um deles.

Já história ou o mistério trata de não deixar que você abandone a leitura até que seja solucionado. A autora solta algumas dicas do que poderia ter acontecido, mas nenhuma linha de raciocínio que eu criei chegou próxima do que realmente aconteceu. A cada capítulo eu me vi criando uma nova teoria e logo ela caia por terra no capítulo seguinte. Foi uma leitura que me divertiu e me fez sentir presente na história.



O segundo livro que eu conheci foi “O Jardim Esquecido” (você pode conferir a resenha dele aqui) que traz um estilo bastante parecido com o “A Casa do Lago”. A história também gira em torno de um segredo escondido por décadas até que uma herança faz ressurgir o que há muito estava esquecido. Nessa história vermos o tempo passar por três períodos importantes, cada um como parte de um quebra-cabeça que vai sendo construído pela autora. Confesso que nessa história, senti que a autora teve mais trabalho para unir todas as pontas da história. Não que algo estivesse errado, mas muitos fatos foram dados ao leitor e Kate Morton soube prender cada um deles para que chegar ao ponto alto da história. Foi um trabalho tão bem feito que me senti parte de cada período da história. E assim como foi no primeiro livro, fui criando minhas próprias teorias e não consegui criar uma única que chegasse perto do que a autora tinha preparado para surpreender o leitor. Eu amei esse livro, amei cada detalhe da história e trato de indicar sempre que posso.

Os dois livros carregam protagonistas fortes, corajosas e decididas. Elas precisam de força para enfrentar o passado e superar o medo do que vem pela frente. São mulheres que nos encantam e conquistam. Elas não são o tipo de protagonistas que esperam por ajuda ou que passam a história inteira sofrendo pelo o que aconteceu com elas. Todo o peso que elas carregam se tornou parte da personalidade de cada uma e faz com a história seja ainda melhor.

Enfim.

Kate Morton tem talento para prender a atenção do leitor e aguçar a curiosidade. São histórias que fogem do clichê e traz cenários belíssimos. Se você é um leitor, como eu, que gosta de bons mistérios, personagens fortes e marcantes, os livros da Kate Morton são mais do que indicados para você.

É isso! E você? Qual o autor que te conquistou no primeiro livro e já está entre os seus favoritos?

[Resenha] Des-grávida, de Jenni Hendriks e Ted Caplan



Veronica Clarke é a aluna perfeita, namora um dos atletas da escola e foi aceita para a faculdade dos seus sonhos. Além disso, o ano letivo já estava acabando e ela tem grandes chances de ser a oradora da turma. Não há nada que pudesse impedi-la de se formar com louvor no ensino médio. Nada, a não ser o resultado de um único teste. Ela havia se preparado para todos os exames e tirado boas notas, mas aquele era um que ela esperava ser reprovada. O mundo parecia desabar sobre ela naquele momento. Escondida em uma cabine do banheiro feminino, ela tentava manter a calma enquanto esperava o tempo necessário para saber a resposta. De repente, a porta do banheiro é aberta e com o susto o teste vai parar longe. E aí, quando tudo parecia dar errado, o destino prova que ainda pode ser cruel. Do outro lado da cabine está sua ex-melhor amiga, Bailey Butler. Uma garota problemática, que assustava a todos na escola. Elas costumavam andar juntas, mas ao entrar no ensino médio, Veronica tinha decidido que buscaria novas amizades e seria a garota perfeita e isso não incluía Bailey. Por isso, desta vez, nada impediria que Bailey usasse o que havia descoberto ao seu favor.

Veronica teria que correr contra o tempo e agarrar sua única chance. Ela não se sente pronta para ter esse filho e algo descobrir o que o seu namorado perfeito havia feito, ela consegue decidir o que precisa ser feito. Ela não terá esse bebê. Mas para seguir com o plano, ela vai precisar de ajuda e já que ela não poderá contar com o seu namorado nem com nenhuma das suas amigas perfeitas, sua única opção será recorrer a única pessoa que não a julgaria por isso: Bailey. Veronica só precisaria convencer sua ex-melhor amiga a salvar os seus planos.

Por algum motivo, Bailey aceita a proposta e irá partir em uma viagem rumo a uma clínica de aborto. Uma viagem de final de semana onde ninguém poderia desconfiar dos motivos de Veronica estar longe. Durante todo o percurso algumas verdades serão expostas e revividas. O motivo de Veronica ter se afastado da única pessoa que a conhecia e sequer a julgava, o medo que ela tem de não ser a garota perfeita que todos esperam. Enquanto isso, ela poderá redescobrir uma amizade que ela já nem lembrava que sentia falta. Bailey criou uma personagem forte e corajosa para mostrar a todos, mas ainda existe uma parte dela que talvez só Veronica possa alcançar.




Des-grávida” é um livro leve e que pode aparentar girar em torno da decisão que Veronica Clarke precisa tomar. Mas nada é tão superficial assim. É uma história que fala sobre medo, decepções, fardos maiores do que deveríamos carregar. O que mais me chamou a atenção neste livro é o fato de ser exatamente isso: não se trata sobre o aborto. Veronica não tem dúvidas sobre o que irá fazer. Ela está totalmente consciente das consequências e o que poderia ser da sua vida se ela somente assumisse a gravidez. Mas essa não é uma opção para ela. Desde o começo, por mais que ela estivesse com medo de assumir que era o que ela realmente queria, ao chegar o momento, ela está totalmente segura de ter feito a escolha certa.

No fim, o aborto acaba sendo um assunto secundário, sem tanta importância na história. E isso me ganhou. Os autores souberam dar importância a pontos importantes e que também merecem nossa atenção, como a amizade e a aceitação. Tanto Veronica como Bailey se passam por pessoas fortes e decididas, mas por trás estão sempre em busca de algo mais. Veronica que ser aceita, ser melhor. Bailey também quer ser aceita, mas diferente da Veronica, ela não quer que as pessoas a vejam como alguém perfeito. Ela quer se vista como realmente é e sem ser julgada por isso.

Aos poucos vamos entendendo o que a separaram e iremos presenciar a aproximação das duas. E essa é uma amizade que nos conquista logo de cara. São duas pessoas diferentes e ao mesmo tempo bastante parecidas. O que só torna o livro ainda mais gostoso de ler.

Agora, antes de terminar essa resenha, preciso dizer o quanto eu o-d-i-e-i o namorado da Veronica. Gente do céu, que cara insuportável, detestável e infantil. Não consigo descrever o quanto ele me deixou desesperada para terminar a leitura. Em alguns momentos tive que deixar o livro de lado para respirar e acalmar a raiva que eu tive dele. Ele tem um medo irracional de perder a Veronica, o que me fez entender que o que ele sente por ela sequer é amor. O relacionamento deles é abusivo e isso aparece de forma sutil na história. Talvez sutil não seja a palavra certa, mas é demonstrado de uma forma tão “discreta” que algumas pessoas achariam normal. E com o decorrer da história isso vai ficando cada vez mais nítido, até chegar a um ponto que é impossível não querer matar o personagem em cada aparição dele na história.

Enfim.

É isso. Eu adorei a leitura! É uma história que apesar de ter um tema pesado, foi crescendo e se desenvolvendo de forma leve, divertida e próxima da realidade. Traz uma leitura leve, fluída e contagiante. É um livro que vale a pena conhecer e gostosinho de ler.




[Lançamentos] Os livros da Faro Editorial para o mês de Junho


Oi! Como você está?

O post de hoje é para mostrar os livros que a Faro Editorial lançou neste mês. São dois livros maravilhosos, sendo o primeiro o novo romance da autora J. Sterling e o segundo é um livro de não-ficção do autor Charles Mackay.

Quase Rivais


Em seu novo livro, J. Sterling traz um dos clichês mais queridos por todos os leitores que amam um bom romance. Confira a sinopse:

Suas famílias são inimigas… Mas será que é possível resistir a uma louca paixão?

James é louco por sua vizinha Julia… Julia brilha e se arrepia cada vez que esbarra com James… a combinação seria perfeita se suas famílias não fossem rivais há gerações. E, como se não bastasse, os dois são concorrentes no trabalho. Mas, mesmo com tudo jogando contra, quanto mais tentam resistir, mais forte fica o desejo. James e Julia entendem que precisam se manter afastados.

O problema é: como? J. Sterling, autora conhecida por seus romances incríveis, recria em Quase Rivais a maior história de amor de todos os tempos. Neste Romeu e Julieta dos tempos modernos, há alguns detalhes que se repetem, mas o que poderia ser diferente?

Sobre a autora: J. STERLING nasceu no sul da Califórnia e cresceu assistindo a jogos de beisebol do Los Angeles Dodgers e jogando softbol. Ela se formou em rádio, tevê e cinema, e trabalhou na indústria do entretenimento grande parte de sua vida. É autora de diversos livros, entres eles Dear, heart – Eu odeio você, lançado no Brasil pela Faro Editorial. Jenn adora ouvir a opinião de seus leitores ao redor do mundo e sempre interage com eles em suas redes sociais.

Da mesma autora de Dear heart, eu odeio você!

A história das ilusões e loucuras das massas – As armadilhas dos Cisnes Negros


Sociedades avançadas também fazem coisas incrivelmente estúpidas em momentos de desespero…

Embora a insanidade se manifeste de modos variados, os mecanismos psicológicos por trás dela são semelhantes. Conhecê-los é, ao mesmo tempo, soro e vacina.

Este livro clássico prova que precisamos revisitar continuamente o passado se quisermos evitar os mesmos erros no futuro. Passando por bolhas econômicas, religião, costumes, astrologia, caças às bruxas e política, o autor, Charles Mackay, apresenta aqui exemplos de grandes histerias que mudaram o curso da humanidade.

Mackay não trata apenas de eventos, mas de tendências de comportamento que se repetem, ilustrando com exemplos específicos notáveis e até engraçados. Conhecê-las é ter poder para guiar-se mantendo o pensamento racional enquanto todos perdem a cabeça. Se estudar a história da loucura das massas sempre foi relevante, hoje é ainda mais importante.

Na Idade Média, um rumor insano levava meses, às vezes anos, para percorrer o mundo. Hoje, bastam poucos segundos. Assim, as ilusões populares têm um poder que jamais tiveram sobre nossos antepassados: dispomos de meios para tornar seus efeitos mais desastrosos. Nesta versão, mantivemos o conteúdo mais objetivo e acrescentamos anexos para incluir eventos ocorridos nas últimas décadas, sobretudo no país. A crise de 2014, o bug do milênio, o Plano Cruzado e outras situações partilham coincidências com fatos ocorridos há mais de trezentos anos e que prometem se repetir muitas vezes.

Ninguém poderá duvidar que, por maior que seja o número de lâmpadas acessas, a invencibilidade das trevas é insuperável. Parafraseando o economista Roberto Campos: A LOUCURA HUMANA TEM PASSADO GLORIOSO E FUTURO PROMISSOR. OS CISNES NEGROS As loucuras e ilusões das massas são eventos que provocam o que o autor, Nassim Nicholas Taleb, chamou de Cisnes Negros: problemas de percepção causados nas pessoas por eventos aleatórios e inesperados que provocam impacto num grupo ou comunidade.

Diante de eventos inesperados e histerias coletivas, nós perdemos parte da capacidade de lidar racionalmente com a situação, de julgar o que é mais coerente e até de explicar o que realmente aconteceu. O desafio proposto neste clássico é ler as tendências dos comportamentos humanos e se desprender das ilusões das massas. Esse é o caminho para sobreviver a esses eventos assustadores sem perder a cabeça e os negócios.

Sobre o autor: CHARLES MACKAY (1814-1889) foi um poeta, jornalista e escritor do Reino Unido. Sua mãe morreu logo após seu nascimento e seu pai era oficial da marinha. Nascido em Perth, na Escócia, e educado em Londres e em Bruxelas, passou a maior parte de sua juventude na França. Atuou como correspondente da revista Time durante a Guerra Civil Americana, e seus trabalhos são até hoje considerados clássicos para entender a sociedade.

[Resenha] Nossa Música, de Dani Atkins


Joe Taylor estava a caminho de casa quando ouviu pedidos de socorro. Duas crianças vieram em sua direção, desesperadas por ajuda. Uma terceira criança havia caído no lago congelado enquanto tentava salvar um cachorro que também havia caído. Joe nunca teria negado ajuda, mesmo depois de ter resgatado a criança e se certificado que os três estavam em segurança. Ele sabia que teria que voltar para o lago e salvar o cachorro. Também sabia que tudo poderia ser diferente se ele simplesmente tivesse ido para casa.

Enquanto isso, David está indo em busca do presente de Natal da sua esposa. Ele já havia preparado uma grande surpresa, mas ele ainda queria algo mais para acrescentar a pilha de presentes. Por isso, estava enfrentando as ruas cheias de pessoas ansiosas para comprar presentes para o Natal. Era inverno e a neve logo daria as caras por ali, mas para David parecia que a temperatura subia cada vez mais. Ignorando o desconforto, ele decide entrar na loja e escolher logo o presente. Enquanto a atendente do outro lado do balcão tratava de mostrar as melhores opções, o mal estar toma conta de David e ele acaba desmaiando.

Por ironia ou não do destino, os dois homens são levados para o mesmo hospital.

Ally e Charlotte acreditavam que poderiam fugir do passado e seguir em frente. O último encontro entre elas não havia sido dos melhores. Tinha sido o ponto final para o romance de Ally e David, e liberado o caminho para Charlotte. Mas isso não importava mais para Ally. Ela já estava casada com um homem que amava e um filho que era tudo em sua vida. Seu passado com David tinha ficado onde deveria ficar: no passado. Já para Charlotte era impossível esquecer Ally completamente. Ela era a sombra no seu casamento com David. Apesar de saber que o marido a amava e que eles eram felizes, Charlotte sabia que havia uma parte do coração de David que sempre pertenceria a Ally, uma parte que ela nunca foi capaz de alcançar. Tudo o que as duas mulheres menos queriam era ter que reviver essa história enquanto aguardavam por notícias em uma sala de espera da UTI.


Através do ponto de vista das duas mulheres, vamos acompanhando as decisões e os segredos que cada uma carrega. Ally vai apresentando o início de seu relacionamento com David, enquanto espera por seu marido. David havia sido um ponto importante em sua história enquanto estava na faculdade. Contra todas as probabilidades, eles haviam se apaixonado e permaneceram juntos mesmo com tantas diferentes entre eles. Ally vinha de uma família simples, estudava música e queria se formar como uma das melhores alunas da sua turma. Já David vinha de uma família rica e teve tudo o que sempre quis. Ally ainda precisava lidar com a desconfiança da sogra, que nunca aprovou o seu relacionamento com David. Mas levou tempo para que ela entendesse o que levaria ao fim do seu relacionamento. Terminar com o homem que ela tanto amava havia sido terrível, mas o que veio depois tinha sido assustador. Por sorte do destino, Ally conheceu Joe. Era por ele que ela estava naquele hospital remexendo em histórias que estavam muito bem enterradas (e deveriam permanecer assim).

Para Charlotte era quase impossível estar ali. Ally vinha assombrando a sua vida a tempo o suficiente para não querer que ela estivesse por perto, ainda mais quando David acordasse. Charlotte tinha conhecido David bem antes do início do namoro com Ally. Ela foi surpreendida ao entrar na casa que havia alugado na faculdade, junto com um grupo que ela sequer conhecia. Encontrar com David tanto tempo depois tinha sido estranho e ao mesmo tempo maravilhoso. Ela só não contava com Ally. Agora, oito anos depois, Ally ainda era a causa de seus medos. Ela sabia que ela estava casada também, que tinha um filho, mas Charlotte também sabia o que tinha acontecido entre eles. O que aconteceria quando David soubesse que ela estava ali, tão perto?

Nossa Música” conta a história das duas mulheres durante uma noite de espera na UTI. O livro vai se dividindo entre o que está acontecendo naquele momento e o passado delas. Através de cada capítulo podemos entender como tudo foi acontecendo entre eles. Os segredos que ficaram guardados e durante essa única noite precisam ser revelados e muitos sentimentos mal resolvidos que ficaram guardados por oito anos.


Ally é uma jovem decidida e que conquista logo de cara. Ela parecia se esforçar para fazer com que tudo desse certo, desde o seu curso na faculdade até o relacionamento com David. Contra todas as expectativas, ela insistiu em algo que desde o início acreditava estar fadado ao fracasso. Mas isso não tira os méritos de David. Ele amava Ally desde o início e havia lutado pelo relacionamento deles, mas algumas atitudes (ou talvez tenha sido a falta delas) acabaram destruindo tudo o que eles haviam construído juntos.

Já Charlotte desde o início me pareceu uma personagem que gosta de agir por debaixo dos panos. Não que ela seja uma pessoa completamente ruim, mas ela prefere esconder algumas coisas para o próprio benefício. Além de achar certo desejar o que nunca pertenceu a ela. Desde o momento em que ela aparece na história de Ally e David, ela deixa claro o que quer e o motivo de acreditar estar certa. E sinceramente, não é algo que tenha me convencido. Pareceu mais como um capricho de uma menina mimada, que sempre teve tudo na vida, mesmo precisando lidar com as constantes brigas dos pais. Não sei se consigo explicar o motivo da minha aversão por ela, mas desde o início ela me pareceu superficial demais para me apegar a ela.

O foco da história se mantém entre Ally e Charlotte e apesar de tudo acontecer em uma única noite, a história é bem desenvolvida e caminha sem entediar o leitor. A leitura fluí muito bem do início ao fim. O final já era esperado, mas ainda assim torci até o último momento para que fosse diferente. No geral, acho que podemos considerar como uma daquelas histórias para se ler em uma sentada só.

Livro mais do que recomendado para você que gosta de um bom romance.



[Resenha] Persuasão, de Jane Austen


A história começa apresentando a situação financeira da família Elliot. Uma família conhecida por suas posses e um título, agora estava endividada. Para tentar contornar as dívidas, a família decide mudar para Bath e alugar a propriedade em Kellynch. A casa acaba sendo alugada para os Croft e somente Anne Elliot pareceu perceber a ironia da situação. A Sra. Croft é irmã do capitão Frederick Wentworth, um jovem que há oito anos havia pedido Anne em casamento. Na época, Anne estava completamente apaixonada e havia aceitado o pedido, mas sua família, junto com Lady Russell, havia convencido Anne de que um casamento como esse não poderia ser bom para sua posição social.

Enquanto sua família partia para Bath para escolher sua nova casa, Anne tinha sido convidada por sua irmã caçula – Mary– para lhe fazer companhia por algumas semanas em Uppercross. Anne não esperava estar em Kellynch Hall quando os Croft chegassem para ocupar a propriedade de sua família. Ela temia que capitão Wentworth pudesse aparecer e não sabia o que esperar desse reencontro. Hospedada com a irmã e com seu constante contato com a família Musgrove, ela nunca imaginou que poderia ter que conviver com o seu passado. capitão Wentworth era convidado da família e estava sempre presente. O reencontro que ela tanto temia fez ressurgir o peso de suas decisões passadas e veio comprovar que ela ainda amava o capitão Wentworth. E pela forma distante e fria como ele a havia tratado, estava claro que ele ainda se ressentia por ela ter rompido com o compromisso há oito anos, ele não havia perdoado sua decisão e não poderia culpá-lo.

Agora, Anne precisaria lidar com seus sentimentos e pensamentos sozinha, enquanto teria que vê-lo constantemente, até que pudesse partir para Bath.


Anne é uma jovem bonita, inteligente, melancólica e bondosa. Está sempre disposta a por suas necessidades de lado para ser útil a quem estiver precisando de sua ajuda. Sempre negligenciada e esquecida. Mas capaz de conquistar o carinho de todos a sua volta com sua personalidade altruísta e seus modos educados. Diferente de suas duas irmãs, ela não se importa com posições sociais e títulos. Enquanto suas irmãs tendem a ser invejosas e esnobes, Anne demonstra simplicidade e contenta-se com o que recebe.

O capitão Frederick Wentworth é um homem carismático, leal, bondoso e orgulhoso. Ainda carrega o peso de ter sido rejeitado por Anne e trata de demonstrar certo desprezo quando a reencontra. Mas o seu amor por ela acaba se revelando em pequenos gestos, com o tempo que passam juntos.

Mesmo oito anos depois, é possível enxergar que há algo que precisa ser resolvido entre eles. A tensão entre os dois pode ser percebida conforme a história vai se desenrolando. Mas Anne não é capaz de ceder aos sentimentos que ela renegou no passado, enquanto o capitão Wentworth é orgulhoso demais para esquecer uma rejeição.



Anne Elliot e o capitão Wentworth de cara ganham a nossa torcida. Anne é de uma jovem que tem muito a mostrar, mas não teve oportunidade para aprender a defender suas decisões. Por ter sido ignorada por sua família, ela se limitou a aceitar o que lhe era dado. Para ela, a decisão que havia tomado há oito anos, era irreparável e não havia chance de que o capitão Wentworth a perdoasse.

Enquanto isso, por parte do capitão, é possível ver que ele se esforça para mostrar a Anne que ele não se importa mais com o que aconteceu entre eles. Em alguns momentos ele demonstra um pouco de desprezo e disposição a se vingar do que ela fez, mas sem reconhecer que a aceitaria de volta se ela demonstrasse ter o mesmo sentimento do passado.

Já os outros personagens da história são, em sua maioria, detestáveis. A família de Anne parece ter o dom para absorver grandes defeitos de caráter que o ser humano pode ter. Lady Russell, por mais bondosa que pode parecer, não mede esforços para impor suas vontades (ainda que pareça ser para o bem maior).


Algumas almas caridosas vão sendo acrescentadas apenas quando o livro vai se aproximando da parte final e o leitor é recompensado por aturar tantos personagens desagradáveis.

O que posso dizer é que eu me apaixonei por mais um livro de Jane Austen. A autora tinha características marcantes e sempre acertou na forma de conduzir o leitor. Além de seus livros carregarem críticas a sociedade da época e personagens que conquistam logo nas primeiras páginas. ‘Persuasão’ é um livro que vai construindo a histórias dos personagens de maneira que faz o leitor se sentir vivendo cada parte do que está acontecendo. É uma ótima dica de leitura para quem é apaixonada por romances que se aproximam da realidade e nada fantasiosos.