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É uma história que une três pessoas que se sentem perdidas, mas que vão descobrir que não estão sozinhas.

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Antes de partir desta pra uma melhor (Jonathan Tropper)



Antes de partir desta pra uma melhor
Jonathan Tropper
Editora Arqueiro
Sinopse: Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que a vida de Drew Silver é uma sequência de decisões equivocadas. Faz quase uma década que sua banda de rock emplacou uma música, filha única de mãe solteira. Desde então, a banda se separou, sua mulher o largou e Silver tem assistido a vida passar, tocando em casamentos – quando aparece algum – e descontando os cheques cada vez menos frequentes que recebe pelos direitos autorais de seu único sucesso.

Silver então descobre que a ex-mulher está prestes a se casar de novo e que a filha adolescente, Casey, está grávida. Para completar, depois de sofrer um derrame que o deixa incapaz de controlar a língua e guardar para si o que pensa, ele precisa de uma cirurgia no coração. Diante desse cenário, o músico fracassado depara com a pergunta decisiva: será que vale a pena salvar uma vida tão mal vivida?

Assim, sob o olhar exasperado da família, ele toma a decisão radical de se recusar a fazer a cirurgia e dedicar o pouco tempo que lhe resta a tentar consertar o relacionamento com Casey e aproveitar a vida – mesmo que ela não dure muito.

Com diálogos rápidos, irônicos e sagazes, Jonathan Tropper confirma sua habilidade em retratar com humor e perspicácia o lado oculto da família moderna.

Já faz algum tempo desde que li este livro, mas não tive tempo de parar e escrever sobre ele. É o segundo livro do autor que eu conheci e a minha surpresa não foi diferente. O autor tem uma forma divertida de escrever, o que faz com que a cada página você sinta raiva do personagem e no momento seguinte esteja rindo com ele.

"Antes de partir desta pra uma melhor" foi publicado em 2015 e traz a história de Silver, um ex-baterista que teve os seus 15 minutos de fama. A banda da qual fazia parte acabou quando o vocalista decidiu seguir em carreira solo. Agora, Silver vivi com o que ganha se apresentando em casamentos e com uma pequena quantia que recebe por mês pelos direitos autorais da sua única música de sucesso, Rest in Pieces. Além disto, Silver e os amigos doam sêmen toda semana para ganhar 75 dólares.

O fim da banda veio junto com o fim do seu casamento. Nos últimos anos Silver foi o pior pai que se poderia esperar. Ele vem se arrastando pelos dias de sua vida sem se importar com o que irá acontecer no momento seguinte. Sua vida se resume a passar dias a fio em frente a piscina do prédio onde mora e fica olhando as universitárias de biquíni. Em meio ao grande fracasso que tornou a sua vida não há nada com que se importe mais, então para que se importar com o rumo da própria vida?

Por isso, a surpresa não poderia ser maior quando a filha decide procurá-lo. Antes mesmo de contar a própria mãe, Casey vai atrás do pai na esperança de que ele haja como um pai de verdade e a ajude a decidir o que fazer. Para sua decepção, tudo o que Silver faz é a aconselhar a garota a fazer um aborto. Sem mais opções, ela concorda com a ideia. Enquanto espera na clínica para fazer o aborto, Silver sobre um derrame. E aqui está o ponto de largada da história.

Ele não fica com raiva, não grita e não desvia o olhar. Se existe uma vantagem em ter um pai tão destrambelhado, é o fato de ele não poder julgar ninguém.



Por ironia do destino, ou não, ao acordar no hospital, Silver descobre que o seu médico é ninguém menos do que o noivo de sua ex-esposa. Como se não fosse suficiente, é ele que irá operá-lo. Quer dizer, assim que Silver permitir que seja feita a cirurgia. Ao descobrir que sem a cirurgia irá morrer, ele vê a possibilidade de por um fim a uma vida de erros e fracassos. A filha está grávida, nem ao menos conseguiu ser um pai descente para ela no único momento em que ela precisou dele. Silver já tomou sua decisão, não irá permitir a cirurgia e fará com que seus últimos dias sejam diferentes do que tem vivido.

Quando você sabe que está morrendo, tudo ganha um foco que nunca teve antes.


- Você acredita em Deus? - pergunta ele.
Casey sorri, como se ela fosse a mãe, e ele, o filho, e faz um gesto para abranger ela mesma, Silver, o mundo à sua volta.
- Quem mais poderia ter armado um espetáculo de merda tão insano?

Nesse ponto a história ganha um ritmo diferente, as reflexões serão frequentes, tudo para que Silver entenda os momentos em que deixou que tudo desse errado. Desde seu relacionamento com filha e com o seu casamento. Silver sabe que errou, mas não sabe como concertar. Antes de descobrir a doença isso não importaria, mas ter a filha de volta pode ser a sua salvação. O que ele não esperava é que o derrame tivesse lhe trazido um certo "benefício", tudo o que passa pela cabeça ele acaba dizendo. Sem nenhum filtro ou controle do que diz, ele deixará que suas emoções, pela primeira vez, fiquem expostas. Junto com Jack e Oliver, Silver irá em busca de uma nova vida, mesmo que seja curta.


Se tem uma coisa que eu amei neste livro foi o sarcasmo do personagem. A vida dele é uma merda, tudo o que ele fez dá errado e ele tem completa consciência disso. As situações em que ele se mete são coisas tão corriqueiras que dificilmente eu imaginaria sendo retratadas de forma tão engraçada e interessante. Em busca pela nova vida e incapaz de manter a boca fechada leva o leitor a uma história que merece ser conhecida.

A escrita do autor é maravilhosa! Já havia gostado do primeiro livro que comprei na Bienal em 2016 ("Como falar com um viúvo", resenha aqui), mas eu me surpreendi mais uma vez. Ele traz a história de uma forma tão natural que você facilmente se conecta e relaciona a pedaços do cotidiano de uma família real, longe das páginas de um livro.


É difícil saber por onde começar. As coisas tem sido confusas há tantos anos que tentar identificar um ponto de partida é como tentar descobrir onde começa a sua pele. Tudo o que você vai conseguir saber é que ela envolve todo o seu corpo e que, às vezes, parece um pouco mais apertada do que você gostaria.


@oventodoleste