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Elementar, meu caro Watson

Para quando a vida pesar

They say home is where the heart is
But my heart is wild and free

Existem canções que foram feitas para serem descobertas no momento certo, que foram escritas para transbordar aquilo que muitas vezes tentamos segurar, esconder. Eu não sei você, mas eu tenho o hábito de voltar para músicas, artistas, quando as coisas começam a ficar pesadas demais para carregar. Há sempre aquele artista que me faz lembrar de respirar quando eu não consigo lembrar sozinha.

Há momentos em que ligo o meu fone e coloco aquilo que o meu coração já reconhece muito bem, e parto em busca daqueles minutos de reconhecimento, de conforto e pertencimento que me lembram de que tudo passa, não importa quão pesado é carregá-lo nesse momento.

Eu não tenho a esperança de dias melhores. Percebi isso enquanto escrevo. Ainda assim, sei que a vida é um ciclo e não há nada que se mantenha estático tempo o suficiente para ser definitivo. Obrigo-me a lembrar disso constantemente e aceitar que, desejando ou não, vai passar. Às vezes precisaremos apenas carregar o peso por alguns quilômetros até chegar o momento de deixá-lo partir.

Reformamos a casa e seguimos em frente


Oi! Como você está?

Queria deixar registrado que eu sobrevivi por quase três anos com o mesmo layout. Desde 25 de novembro de 2023, o layout do blog permanecia o mesmo sem me gerar aquela coceirinha para começar algo novo. Se você não acompanha o blog há tanto tempo não deve saber que as coisas por aqui mudam com mais frequência que sou capaz de descrever. Desde que criei esse espaço, mudar o layout é algo que me traz paz de espírito e alegria. É como quando você começa a limpar a casa do nada, apenas pela necessidade de sentir que as coisas estão em ordem, não no espaço físico, mas na sua mente.

Durante os últimos anos, senti que precisava de estabilidade, de algo que permanecesse inalterado para, de algum forma, demonstrar que o barco ainda estava navegando. Olhar para aquele layout me trazia conforto e segurança. Por pior que as coisas estivessem (sendo bem negativa mesmo), era possível encontrar algo que continuava intacto e que ainda refletia a pessoa que eu deixei para trás.

Agora, que estou mais ativa no blog novamente, senti a necessidade de perder o medo da mudança e recomeçar. Não totalmente do zero, mas de um ponto em que já estive e reconheço como o caminho em que estive antes de me perder pela milésima vez.

É isso! Esse post é mais para marcar a mudança que escolhi e não a que me foi imposta. São poucas as coisas na vida em que temos controle. Ter um pedacinho da minha vida que eu posso decidir e controlar é um alivio imenso para a minha ansiedade.

Logo mais teremos posts novos aqui no blog. Fiquei esses dias sem postar, porque estava me concentrando em criar o layout. Confesso que já estava bem enferrujada e precisei de um momento mais demorado para lembrar que sei fazer e que gosto disso. Como a gente esquece rápido das coisas, não é? Que loucura! Algo que eu fiz inúmeras vezes, sumiu da minha mente e precisei me esforçar para encontrar o caminho de volta. Mas o que importa é que consegui e o que vocês estão vendo aqui é o reflexo das memórias que acumulei com o tempo, de forma mais simples e até limpa. Nada muito extravagante, mas carregando a essência de quem eu sou e das coisas que gosto.

Vou parando por aqui, porque esse post já está ficando bagunçado. Muitas ideias soltas e pouca coerência. Enfim, eu espero que você goste dessa nova versão do Vento do Leste e volte mais vezes para jogarmos conversa fora.

Até logo!

Um clube do livro & piquenique com flores

Oi! Como você está?

Não faz muito tempo, conversamos um pouco sobre fazer parte de um Clube do Livro, se ainda era algo que valia a pena nos dias atuais (dá uma passadinha lá no post clicando aqui). Hoje, quero conversar com você sobre o último encontro do clube que faço parte há quase dois anos e tem me inspirado pouco a pouco.

O Sweet Daisy é um Clube do Livro feito por mulheres e para mulheres, onde, desde o início, busca resgatar os encontros presenciais e o espírito de comunidade que só um clube literário pode inspirar.

Eu entrei para o clube em meados de 2024, depois de esbarrar nele através de um vídeo no TikTok. Na época, eu estava procurando por um lugar onde pudesse reviver as conversas literárias que costumavam acontecer antes da pandemia. Aqueles encontros presenciais, caóticos e com muitas risadas faziam uma tremenda falta para mim e eu ainda acredito que, muitos dos que viveram àquela época, não se adaptaram completamente à mudança para reuniões virtuais. Simplesmente não são a mesma coisa.

Desde então, eu confesso que tenho participado mais dos encontros do que, de fato, lido as leituras mensais. Há meses onde não consigo engatar nenhuma leitura e decido não me obrigar a terminar um livro apenas pelo prazer de dizer que a leitura foi finalizada. Ainda assim, estou presente nos encontros, uma vez por mês, para as conversas mais aleatórias possíveis. Apesar de sermos um clube literário, na maior parte do tempo, os encontros são recheados de assuntos do dia-a-dia, momentos constrangedores, seguidos de muita risada.

Há dias que os encontros acontecem em cafeterias, em cantos diversos de São Paulo. Outros, acontecem na casa de alguém do grupo. Já viajamos por cada canto da cidade e pela área metropolitana que aprendi a reconhecer rapidamente as linhas de trem e metrô daqui.

Neste domingo, o encontro foi no Parque Villa Lobos, na zona oeste de São Paulo. A ideia era fazer um piquenique e entregar os presentes do amigo secreto inspirado no mês das mulheres. Pela segunda vez, fizemos um Amigo Flores, com o mesmo conceito do amigo secreto, que já conhecemos, mas sendo o presente um buquê ou vaso de flores. Foi divertido perceber que, quase todas, usaram a mesma referência: flores do campo. Foi como trazer as flores de volta à natureza, de volta para casa.

Em meio as comidas e risadas, a leitura do mês ficou esquecida. Isso me lembra de que clubes não foram feitos para serem presos a uma ideia, restritos ao tema que foi escolhido. Clubes são comunidades onde podemos falar abertamente, sem medo, e encontrar pessoas que podem até discordar do teu jeito de ver o mundo, mas irão rir disso junto com você.

O meio literário já foi uma grande comunidade acolhedora e diversa. Hoje, eu vejo muitos grupos formados sem o senso de coletividade, de amizade e de apoio. Houve uma época em que leitores se apoiavam e criavam laços reais, ainda que virtuais, mas as coisas mudaram ao longo do tempo. Tenho a sensação de que a pandemia foi o ponto de ruptura. É claro que, com a ajuda das redes sociais (principalmente o BookTok), o mundo literário ganhou muita visibilidade e ainda cresce. Ao mesmo tempo, as redes estão tornando as relações cada vez mais superficiais e frágeis. Os algoritmos não entregam conteúdos de forma consistente, contas menores e com conteúdo bacana ficam escondidas e o consumismo ficou mais evidente. Ser considerado leitor, exige que você atenda requisitos cada vez mais difíceis de alcançar.

Por isso, encontrar um espaço em que você possa ser quem realmente é e falar sobre coisas de que gosta ainda é muito importante. Os Clubes do Livro estão aqui para isso! Para resgatar o que há muito tempo ficou esquecido e, quem sabe, unir as pessoas novamente e nos fazer enxergar aquilo que os livros estão dispostos a nos ensinar.