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Elementar, meu caro Watson

[Resenha] Quarta Asa, de Rebecca Yarros


Autor: Rebecca Yarros | Editora: Planeta Minotauro | Páginas: 544 | Gênero: Fantasia | Ano de publicação: 2023 | Classificação: +16


Há quanto tempo estou dizendo para mim que esse livro não faz o meu tipo de leitura e que não vale a pena tentar? Essa é a mágica da literatura, você pode escolher um livro totalmente distante do seu gosto literário e acabar descobrindo uma história que preenche o seu coração.

Preciso dizer que Quarta Asa foi o primeiro livro de fantasia, em muito tempo, que me fez mergulhar fundo na história!

Nele vamos conhecer a história da Violet, filha da general Lilith Sorrengail, que foi criada pelo pai para ser uma escriba. Desde muito nova, ela entendeu que era diferente dos irmãos e da mãe, que se tornaram cavaleiros, o que acabou fazendo com que se aproximasse mais do pai que vivia dentro do universo dos escribas.

Após a morte do pai, a general Sorrengail decidiu que a filha seria voluntária na Divisão dos Cavaleiros e Violet foi obrigada a se preparar para enfrentar os desafios que teria pela frente. A Divisão era conhecida por perder muitos voluntários frequentemente, afinal treinar para defender o reino e se unir a um dragão não era uma tarefa fácil. Muitos morriam no caminho e Violet não estava disposta a facilitar as coisas.

Seu primeiro desafio seria enfrentar o Parapeito, uma travessia que define quais serão os sobreviventes que se tornarão os cadetes da Divisão dos Cavaleiros. Como se não fosse o suficiente enfrentar uma queda que com certeza a mataria, Violet precisaria enfrentar os outros alunos da divisão que vão tentar matá-la assim que ela chegar. Sua mãe tinha adquirido muitos inimigos que a tornavam um alvo, assim como o fato de aparentar ser uma pessoa fraca faria com que quisessem eliminá-la para manter apenas os mais fortes na Asa.

Violet precisará enfrentar toda a divisão se quiser se manter viva no percurso.






Eu não vou me aprofundar muito mais na história, porque acredito que se falar mais do que você pode encontrar na sinopse, a tua experiência será diferente. Nesse caso, eu acredito que, quanto menos você souber sobre o enredo, melhor será a tua leitura.

Eu comecei o livro bastante perdida com os nomes dos personagens e, principalmente, com os nomes dos lugares, mas, depois do capítulo 6, fui me acostumando com a história e a leitura passou a ser mais fluida.

De cara, eu já gostei da Violet. Ela é o tipo de personagem que todo mundo pensa ser dispensável e fraca, mas que surpreende quando é colocada à prova. Foi muito interessante ver como a personagem foi crescendo e se desenvolvendo com o passar da história. Disposta a não morrer, ou ao menos não facilitar a sua morte, ela lutou para sobreviver e aprender a ser uma cavaleira. É incrível como um pouco de determinação faz com que a gente supere os nossos limites.

Agora, há um personagem bastante importante na trama que irá acompanhar de perto a nossa protagonista: Xaden Riorson, filho de um dos traidores do Reino e que acabou se tornado o Dirigente da Quarta Asa. Um dos líderes mais habilidosos e poderosos da divisão. Preciso dizer que ele não me enganou em nenhum momento. Enquanto a Violet pensava tudo e mais um pouco sobre ele, para mim ficava na cara que ele tinha muito potencial para ser muito mais do que esperavam. Ele, facilmente, conquistou o meu coração.



O ponto forte da história são os dragões, foi eletrizante. O universo foi muito bem construído e a história traz detalhes que fazem com que a gente se sinta dentro do livro e acompanhando de perto tudo o que está acontecendo. Essa foi a primeira vez que li algo que envolvesse dragões, mas, eu confesso, que fiquei apaixonada por eles. Achei incrível a forma como eles se comunicam com os cavaleiros que escolheram e como estão ligados a eles. Nesse ponto, achei que a história foi muito bem amarrada.

Eu adorei os personagens secundários! Todos carregam um passado difícil e que traz mais profundidade para a história como um todo. Ao decorrer da leitura, vamos conhecendo um pouco sobre cada um dos alunos da divisão que estão minimamente ao redor da Violet. É impossível não se apegar a cada um e torcer por eles. Agora, teve um personagem específico que eu desejei a morte desde o primeiro momento em que apareceu. É surpreendente como ele conseguiu me irritar. Se você já leu ou pretende ler essa história, vai entender bem sobre quem estou falando.

No geral, eu amei a história e favoritei! Mal posso esperar para ler os próximos livros! Eles já estão no meu carrinho da Amazon só esperando para finalizar a compra. Confesso que já estou de olho até nas edições especiais, rs.

Essa história tem tudo para cativar o leitor. Apesar de ser um livro grande, cada pedaço da história foi inserido para agregar ao desenvolvimento e direcionar para como a história irá acabar. Não encontrei nada que pudesse ser retirado sem afetar o desenrolar do enredo. O que, na minha opinião, foi brilhante!

Esse livro é um prato cheio para os amantes de fantasia e todo mundo já sabe. Agora, o que talvez ainda não saibam, é que, mesmo os leitores que não leem livros do gênero, podem se apaixonar pela história! Para quem gosta de um bom suspense, há elementos na história que vão nos deixar curiosos para descobrir o próximo passo. Para quem ama romance, vai acabar descobrindo que aqui nós encontramos um casal que aquece o nosso coração. É uma leitura que flui muito bem e faz o leitor passar as páginas sem nem perceber. Com certeza, o livro que irá te fazer virar a madrugada!

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💜 

E você? Já leu o livro? O que você achou da história? Conta para mim nos comentários. Vamos jogar conversa fora.


[Resenha] Deixada para trás, de Charlie Donlea


Autor: Charlie Donlea | Editora: Faro Editorial | Páginas: 365 | Gênero: Thriller | Ano de publicação: 2017 | Classificação: +16


Em Deixada para trás, você acompanhará o mistério por trás do desaparecimento de duas jovens no último verão do ensino médio. Uma conseguiu escapar do cativeiro, enquanto, um ano depois, a outra permanece desaparecida.

Megan é uma jovem com um futuro promissor. Uma das melhores alunas da sala, foi responsável por criar um retiro para acolher as alunas recém chegadas ao 1º ano do ensino médio. Seu trabalho foi tão bem recebido que virou referência para outras escolas. Como se não bastasse, ela conseguiu uma vaga para a Universidade de Duke, para o curso de medicina. Megan tem um caminho brilhante pela frente.

Nicole é uma jovem esperta, extrovertida e reativa. Ela não aceita não ter o que pensa merecer. Apesar da fachada de jovem descomprometida com as regras e obstinada, Nicole carrega o peso de ter perdido uma prima quando era mais nova. Uma prima que via como uma irmã e amiga. O desaparecimento da jovem preenchia os seus pensamentos mais obscuros e ninguém falava sobre o assunto em sua casa. Todos apenas ignoravam. Mas como Nicole poderia esquecer?

O país ficou em polvorosa quando Megan conseguiu escapar naquele fatídico dia e parecia ter esquecido da jovem que ainda não retornará. Mas Lívia não deixaria que a história morresse. Lívia é a irmã mais velha de Nicole e está concluindo o curso de especialização para se tornar médica legista. Durante um ano, o peso de não ter ajudado a irmã no momento em que ela mais precisava pairava em seu subconsciente. O remorso ia e vinha em sua mente, mas foi um caso que chegou em sua mesa de autópsia que a fez despertar. Um homem havia sido encontrado boiando na baía de Emerson Bay por dois pescadores e a morte foi inicialmente apontada como suicídio. Mas durante o exame no IML, Lívia descobriu sinais de homicídio. Investigando um pouco mais, ela chegou em uma pista que vinculava o caso com o desaparecimento de sua irmã. O que era para ser mais um caso se tornou a chance de buscar respostas para a dor que consumia a sua família há um ano. E desta vez, Lívia não deixaria passar.




Como sempre, Charlie Donlea mostrou todo o seu talento em criar histórias repletas de reviravoltas e segredos. Quando você menos espera, a resposta aparece à sua frente como algo tão óbvio que chega a ser irritante.

O livro é narrado em primeira pessoa e separado no que está acontecendo no presente e no que antecedeu o momento em que o sequestro ocorreu. No presente, acompanhamos o ponto de vista da Lívia e sua busca por respostas. Já no passado, acompanhamos o ponto de vista dos envolvidos no sequestro. Cada capítulo entrega um surto atrás do outro ao expor detalhes da trama que se desenvolveu.

O autor trouxe a Lívia como uma protagonista forte, obstinada e inteligente, o que tem se mostrado um dos pontos altos em seus livros. As suas protagonistas fogem do estereótipo da garota frágil, dependente e submissa que muitas vezes vemos retratadas no gênero. Os personagens secundários carregam passados que nos fazem refletir sobre as lutas internas que travamos sem que ninguém saiba. Principalmente a Nicole, uma jovem que é vista como fútil e superficial, mas carrega a dor da perda e as consequências do que aconteceu.

Enquanto isso, Megan carrega o fardo de ser, até o momento, a sobrevivente do sequestro. Todos esperam que ela volte aos dias em que brilhava e carregava um futuro desejado por muitos adolescentes. Seus pais não conseguem reparar que ela não é a mesma garota e que ela talvez nunca voltará a ser a filha que eles amavam.

Os protagonistas secundários são bem construídos e carregam histórias que gostaria de ter visto com mais detalhes, mas acho que o autor soube dosar a quantidade certa de informações sobre cada um. Fiquei encantada por personagens que acompanham a Lívia no IML, eles geraram conteúdo para as diversas teorias que criei enquanto lia.




Quanto aos temas abordados, acredito que o autor soube cutucar a ferida nos momentos certos. Nessa história acompanhamos a luta dos adolescentes para se encontrarem e descobrirem quem realmente são. Lidando com disputas de grupos que, na época da escola, são imensamente maiores do que vemos depois que terminamos. Também somos apresentados a pessoas que são obcecadas em acompanhar histórias de sequestros, que criam grupos e discutem sobre os métodos dos criminosos. A obsessão que ultrapassa a fronteira do saudável, e se torna um crime. O autor nos faz questionar até onde podemos ir por algo que nos emociona.

O autor tem um estilo de escrita fluido que faz as páginas passarem sozinhas. É impossível se sentir entediado com suas obras. E isso sempre me surpreende. Apesar dele abordar temas que são pesados e difíceis de lidar, sua escrita é leve e bem desenvolvida. Você consegue se identificar com os personagens facilmente e torcer por eles. Mas não espere por finais previsíveis. Cada último capítulo em seus livros guardam uma surpresa que pode nos emocionar ou chocar, vai depender da teoria que você criou para a história.

Essa história é para todo bom leitor de thriller e suspense, para aquele que gosta de ser surpreendido e até decepcionado ao ver que nada foi como o esperado. É um livro para ler rapidamente e ficar vidrado nas páginas até conseguir terminá-lo.

Eu adorei a leitura! Havia meses que não conseguia terminar uma história. E sei que sempre que pegar um livro do Charlie para ler a ressaca vai embora magicamente.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💜 

E você? Já leu algum livro do autor? É fã do gênero literário? Conta para mim nos comentários. Vamos jogar conversa fora.



Para quando a vida pesar

They say home is where the heart is
But my heart is wild and free

Existem canções que foram feitas para serem descobertas no momento certo, que foram escritas para transbordar aquilo que muitas vezes tentamos segurar, esconder. Eu não sei você, mas eu tenho o hábito de voltar para músicas, artistas, quando as coisas começam a ficar pesadas demais para carregar. Há sempre aquele artista que me faz lembrar de respirar quando eu não consigo lembrar sozinha.

Há momentos em que ligo o meu fone e coloco aquilo que o meu coração já reconhece muito bem, e parto em busca daqueles minutos de reconhecimento, de conforto e pertencimento que me lembram de que tudo passa, não importa quão pesado é carregá-lo nesse momento.

Eu não tenho a esperança de dias melhores. Percebi isso enquanto escrevo. Ainda assim, sei que a vida é um ciclo e não há nada que se mantenha estático tempo o suficiente para ser definitivo. Obrigo-me a lembrar disso constantemente e aceitar que, desejando ou não, vai passar. Às vezes precisaremos apenas carregar o peso por alguns quilômetros até chegar o momento de deixá-lo partir.