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Elementar, meu caro Watson

[Resenha] Deixada para trás, de Charlie Donlea


Autor: Charlie Donlea | Editora: Faro Editorial | Páginas: 365 | Gênero: Thriller | Ano de publicação: 2017 | Classificação: +16


Em Deixada para trás, você acompanhará o mistério por trás do desaparecimento de duas jovens no último verão do ensino médio. Uma conseguiu escapar do cativeiro, enquanto, um ano depois, a outra permanece desaparecida.

Megan é uma jovem com um futuro promissor. Uma das melhores alunas da sala, foi responsável por criar um retiro para acolher as alunas recém chegadas ao 1º ano do ensino médio. Seu trabalho foi tão bem recebido que virou referência para outras escolas. Como se não bastasse, ela conseguiu uma vaga para a Universidade de Duke, para o curso de medicina. Megan tem um caminho brilhante pela frente.

Nicole é uma jovem esperta, extrovertida e reativa. Ela não aceita não ter o que pensa merecer. Apesar da fachada de jovem descomprometida com as regras e obstinada, Nicole carrega o peso de ter perdido uma prima quando era mais nova. Uma prima que via como uma irmã e amiga. O desaparecimento da jovem preenchia os seus pensamentos mais obscuros e ninguém falava sobre o assunto em sua casa. Todos apenas ignoravam. Mas como Nicole poderia esquecer?

O país ficou em polvorosa quando Megan conseguiu escapar naquele fatídico dia e parecia ter esquecido da jovem que ainda não retornará. Mas Lívia não deixaria que a história morresse. Lívia é a irmã mais velha de Nicole e está concluindo o curso de especialização para se tornar médica legista. Durante um ano, o peso de não ter ajudado a irmã no momento em que ela mais precisava pairava em seu subconsciente. O remorso ia e vinha em sua mente, mas foi um caso que chegou em sua mesa de autópsia que a fez despertar. Um homem havia sido encontrado boiando na baía de Emerson Bay por dois pescadores e a morte foi inicialmente apontada como suicídio. Mas durante o exame no IML, Lívia descobriu sinais de homicídio. Investigando um pouco mais, ela chegou em uma pista que vinculava o caso com o desaparecimento de sua irmã. O que era para ser mais um caso se tornou a chance de buscar respostas para a dor que consumia a sua família há um ano. E desta vez, Lívia não deixaria passar.




Como sempre, Charlie Donlea mostrou todo o seu talento em criar histórias repletas de reviravoltas e segredos. Quando você menos espera, a resposta aparece à sua frente como algo tão óbvio que chega a ser irritante.

O livro é narrado em primeira pessoa e separado no que está acontecendo no presente e no que antecedeu o momento em que o sequestro ocorreu. No presente, acompanhamos o ponto de vista da Lívia e sua busca por respostas. Já no passado, acompanhamos o ponto de vista dos envolvidos no sequestro. Cada capítulo entrega um surto atrás do outro ao expor detalhes da trama que se desenvolveu.

O autor trouxe a Lívia como uma protagonista forte, obstinada e inteligente, o que tem se mostrado um dos pontos altos em seus livros. As suas protagonistas fogem do estereótipo da garota frágil, dependente e submissa que muitas vezes vemos retratadas no gênero. Os personagens secundários carregam passados que nos fazem refletir sobre as lutas internas que travamos sem que ninguém saiba. Principalmente a Nicole, uma jovem que é vista como fútil e superficial, mas carrega a dor da perda e as consequências do que aconteceu.

Enquanto isso, Megan carrega o fardo de ser, até o momento, a sobrevivente do sequestro. Todos esperam que ela volte aos dias em que brilhava e carregava um futuro desejado por muitos adolescentes. Seus pais não conseguem reparar que ela não é a mesma garota e que ela talvez nunca voltará a ser a filha que eles amavam.

Os protagonistas secundários são bem construídos e carregam histórias que gostaria de ter visto com mais detalhes, mas acho que o autor soube dosar a quantidade certa de informações sobre cada um. Fiquei encantada por personagens que acompanham a Lívia no IML, eles geraram conteúdo para as diversas teorias que criei enquanto lia.




Quanto aos temas abordados, acredito que o autor soube cutucar a ferida nos momentos certos. Nessa história acompanhamos a luta dos adolescentes para se encontrarem e descobrirem quem realmente são. Lidando com disputas de grupos que, na época da escola, são imensamente maiores do que vemos depois que terminamos. Também somos apresentados a pessoas que são obcecadas em acompanhar histórias de sequestros, que criam grupos e discutem sobre os métodos dos criminosos. A obsessão que ultrapassa a fronteira do saudável, e se torna um crime. O autor nos faz questionar até onde podemos ir por algo que nos emociona.

O autor tem um estilo de escrita fluido que faz as páginas passarem sozinhas. É impossível se sentir entediado com suas obras. E isso sempre me surpreende. Apesar dele abordar temas que são pesados e difíceis de lidar, sua escrita é leve e bem desenvolvida. Você consegue se identificar com os personagens facilmente e torcer por eles. Mas não espere por finais previsíveis. Cada último capítulo em seus livros guardam uma surpresa que pode nos emocionar ou chocar, vai depender da teoria que você criou para a história.

Essa história é para todo bom leitor de thriller e suspense, para aquele que gosta de ser surpreendido e até decepcionado ao ver que nada foi como o esperado. É um livro para ler rapidamente e ficar vidrado nas páginas até conseguir terminá-lo.

Eu adorei a leitura! Havia meses que não conseguia terminar uma história. E sei que sempre que pegar um livro do Charlie para ler a ressaca vai embora magicamente.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💜 

E você? Já leu algum livro do autor? É fã do gênero literário? Conta para mim nos comentários. Vamos jogar conversa fora.



Para quando a vida pesar

They say home is where the heart is
But my heart is wild and free

Existem canções que foram feitas para serem descobertas no momento certo, que foram escritas para transbordar aquilo que muitas vezes tentamos segurar, esconder. Eu não sei você, mas eu tenho o hábito de voltar para músicas, artistas, quando as coisas começam a ficar pesadas demais para carregar. Há sempre aquele artista que me faz lembrar de respirar quando eu não consigo lembrar sozinha.

Há momentos em que ligo o meu fone e coloco aquilo que o meu coração já reconhece muito bem, e parto em busca daqueles minutos de reconhecimento, de conforto e pertencimento que me lembram de que tudo passa, não importa quão pesado é carregá-lo nesse momento.

Eu não tenho a esperança de dias melhores. Percebi isso enquanto escrevo. Ainda assim, sei que a vida é um ciclo e não há nada que se mantenha estático tempo o suficiente para ser definitivo. Obrigo-me a lembrar disso constantemente e aceitar que, desejando ou não, vai passar. Às vezes precisaremos apenas carregar o peso por alguns quilômetros até chegar o momento de deixá-lo partir.

Reformamos a casa e seguimos em frente


Oi! Como você está?

Queria deixar registrado que eu sobrevivi por quase três anos com o mesmo layout. Desde 25 de novembro de 2023, o layout do blog permanecia o mesmo sem me gerar aquela coceirinha para começar algo novo. Se você não acompanha o blog há tanto tempo não deve saber que as coisas por aqui mudam com mais frequência que sou capaz de descrever. Desde que criei esse espaço, mudar o layout é algo que me traz paz de espírito e alegria. É como quando você começa a limpar a casa do nada, apenas pela necessidade de sentir que as coisas estão em ordem, não no espaço físico, mas na sua mente.

Durante os últimos anos, senti que precisava de estabilidade, de algo que permanecesse inalterado para, de algum forma, demonstrar que o barco ainda estava navegando. Olhar para aquele layout me trazia conforto e segurança. Por pior que as coisas estivessem (sendo bem negativa mesmo), era possível encontrar algo que continuava intacto e que ainda refletia a pessoa que eu deixei para trás.

Agora, que estou mais ativa no blog novamente, senti a necessidade de perder o medo da mudança e recomeçar. Não totalmente do zero, mas de um ponto em que já estive e reconheço como o caminho em que estive antes de me perder pela milésima vez.

É isso! Esse post é mais para marcar a mudança que escolhi e não a que me foi imposta. São poucas as coisas na vida em que temos controle. Ter um pedacinho da minha vida que eu posso decidir e controlar é um alivio imenso para a minha ansiedade.

Logo mais teremos posts novos aqui no blog. Fiquei esses dias sem postar, porque estava me concentrando em criar o layout. Confesso que já estava bem enferrujada e precisei de um momento mais demorado para lembrar que sei fazer e que gosto disso. Como a gente esquece rápido das coisas, não é? Que loucura! Algo que eu fiz inúmeras vezes, sumiu da minha mente e precisei me esforçar para encontrar o caminho de volta. Mas o que importa é que consegui e o que vocês estão vendo aqui é o reflexo das memórias que acumulei com o tempo, de forma mais simples e até limpa. Nada muito extravagante, mas carregando a essência de quem eu sou e das coisas que gosto.

Vou parando por aqui, porque esse post já está ficando bagunçado. Muitas ideias soltas e pouca coerência. Enfim, eu espero que você goste dessa nova versão do Vento do Leste e volte mais vezes para jogarmos conversa fora.

Até logo!