[Resenha] Quando ela desaparecer, de Victor Bonini



Quando ela desaparecer
Victor Bonini
Faro Editorial
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Uma garota de dezesseis anos desaparece durante uma excursão escolar. Mas não se trata de qualquer garota. Dois anos atrás, ela esteve à beira da morte, e quando foi encontrada, ninguém acreditou que sobreviveria.Agora, há dois meses desaparecida, não restam dúvidas de que esteja morta. Rastros de sangue e um colar arrancado são as únicas pistas.Pressionados, os policiais estão desesperados por respostas, mas ninguém na longa lista de suspeitos parece ter forte motivação para cometer um crime. Até que o caso vira de cabeça para baixo e segredos muito bem enterrados emergem para revelar o lado cruel de um lugar aparentemente tranquilo. No meio de tantos possíveis culpados, os inocentes é que estão mais aflitos… porque alguns deles começaram a morrer.


Antes de qualquer coisa, preciso dizer que esse livro foi uma surpresa imensa. E se você também gosta de um suspense bem desenvolvido e capaz de fazer você duvidar de todos, sem conseguiu seguir uma única linha de raciocínio, esse livro foi feito para você!

“Quando ela desaparecer” traz a história da Kika e o crime que trouxe revolta aos moradores do Cecap em Guarulhos. Uma garota bonita, eleita Miss Guarulhos Juvenil, sempre rodeada por meninos e carregando inimizades com todas as garotas da escola. Por pura sorte ou azar, Kika sobreviveu a duas tragédias. A primeira em 2010, um ataque a sangue frio que deixou o seu rosto desfigurado. A segunda, em 2012. Uma tragédia repleta de mistérios, segredos revelados e fake news. Em forma de livro-reportagem, o narrador vai apresentando a história por traz da tragédia, os depoimentos, a linha de investigação da Polícia Civil e os suspeitos.

— Você tem que acreditar que aquilo que aconteceu há dois anos foi porque todas as meninas odeiam a Kika por um motivo maior, que nem elas sabem explicar. Elas nem olham pra cara da Kika. Nunca olharam. Ou se olham é pra tirar um puta sarro ou xingar ela de, sei lá, biscate.



Em 2012, a turma do segundo ano do colégio Álvares de Azevedo se reuniu para a excursão que já tinha se tornado uma tradição no colégio, um passeio pelo sítio Moinho do Café, no limite de Mogi das Cruzes. Ninguém esperava que o dia pudesse terminar de forma trágica, não até o momento de reunir os alunos para voltarem para casa. Uma aluna havia desaparecido.

A polícia logo foi acionada e as buscas começaram. O desespero por resultado nas primeiras 48 horas não trouxeram nada além de um colar. O colar que a Kika usava foi abandonado na mata, o que poderia indicar a direção em que a garota seguiu, mas as buscas pelo sítio e na região não ajudaram. As notícias seguiam mostrando a falta de resultados na investigação da Polícia Civil. Enquanto Maria João, mãe da Kika, já não sabia o que esperar. Sua filha tinha sobrevivido à primeira tragédia, será que ela voltaria para casa mais uma vez? Maria João é uma mulher religiosa, superprotetora, que a certa altura das investigações andava sempre cabisbaixa e perdida em seus pensamentos. Ela se viu obrigada a criar a filha sozinha depois do acidente que matou o marido. Kika era extremamente apegada ao pai e foi um recomeço difícil para a garotinha de 5 anos.

— Geralmente, num caso assim, a gente mergulha nos arredores e consegue pelo menos alguma coisa: um indício de pra onde a pessoa foi, câmera mostrando onde ela passou, testemunha que viu. No caso da Kika, não tinha nada, nada. Ficávamos olhando um pro outro, tentando entender, “gente, o que aconteceu aqui?”. É que, claro, não sabíamos ainda o tamanho da coisa.


Enquanto os dias passavam, as investigações continuavam paradas, sem uma única pista do paradeiro da garota. Logo os jornais passaram a duvidar do trabalho do delegado Lauro Jahib. O delegado foi acusado pelos jornais e até por seus superiores de ter esquecido que as investigações se tratavam do desaparecimento de uma garota e não a busca do criminoso. Depoimentos foram colhidos, novas pistas surgiram e logo a lista de suspeitos ia aumentando. Mas não havia um único indício de onde a garota pudesse estar. A Polícia não descartava a hipótese de a Kika ter fugido com um amante. Mas logo encontrariam algo que daria um novo rumo às buscas. Pela primeira vez a polícia teria uma pista para seguir. Ainda assim, o delegado não poderia imaginar que muita coisa ainda estava para acontecer. Eles sequer estavam perto de conhecer a verdade por trás do desaparecimento da garota.

Lembrar esses dias me traz um sentimento de medo e depressão. Experimente entrar na sua escola, no seu trabalho, na sua casa e olhar para os outros como possíveis sequestradores. Talvez assassinos. Estupradores. Você tem vontade de se esconder no quarto e não sair nunca mais. Sua rotina perde o sentido.



Conforme o narrador vai apresentando a história, os capítulos são intercalados com uma conversa que acontecia na casa da Kika. Maria João aceitou receber o detetive particular Conrado Bardelli, dois meses depois do desaparecimento da filha e o início das investigações. O detetive estava em busca de respostas, a pedido do delegado Lauro. Um homem carismático que logo conquistou a confiança da Maria João. Aos poucos ela vai contando ao detetive como tudo aconteceu, desde o momento em que ficou sabendo da notícia até o desfecho do caso. Uma história cheia de pontos soltos que a polícia não conseguia identificar.

Preciso dizer a você que terminei esse livro sem saber se era real ou ficção. A história foi tão bem construída que facilmente por ser confundido com um relato real, um crime que de fato aconteceu. O fato de a história ter sido escrita em forma de livro-reportagem ajuda é um dos pontos que causam essa confusão no leitor. E foi aí que o autor ganhou a minha atenção. A cada capítulo eu já esperava uma reviravolta que derrubaria todas as teorias que eu já tinha criado.


Os temas que o livro aborda, de certa forma, chegam a ser um tapa na cara. Como eu já disse, ele se aproxima tanto da realidade que é fácil perceber as consequências de atitudes que muitas vezes tomamos sem considerar todos os lados. Como, algo que tem se tornado cada vez mais presente, as fake news, o bullying e transtornos psicológicos. Coisas que estão cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia, mas fechamos os olhos e até menosprezamos quando não é com a gente.

Enfim. A edição da Faro está incrível, desde a capa aos detalhes de cada página do livro. Esse livro foi uma surpresa maravilhosa para mim e mais do que indico para você que já é fã do gênero ou para você que quer se aventurar por um novo mundo cheio de segredos, suspense e reviravoltas.



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