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[Resenha] O Homem que Odiava Machado de Assis, de José Almeida Júnior


No ano em que o movimento Machado de Assis Real ganha força e saí em busca de espalhar a verdadeira identidade de um dos maiores (se não o maior) escritores brasileiros, a Faro Editorial publica um livro em homenagem a Machado de Assim, com a foto real do escritor. “O Homem que Odiava Machado de Assis” foi escrito por José de Almeida Júnior e traz a possível história por trás de um dos livros mais famosos de Machado de Assis. Dom Casmurro carrega até hoje a desconfiança do protagonista sobre o comportamento de sua esposa.

Pedro Junqueira tenta decidir o momento de contar a verdade. Em meio à comoção pela morte de Machado de Assim, sua vontade é mostrar a todos, de uma vez por todas, quem era o mulato que desgraçou sua vida. O Rio de Janeiro parecia adorar um homem que não havia feito nada mais do que inferniza-lo e publicar livros que nada poderiam acrescentar a literatura. Agora, com Machado de Assim morto, sua consciência estava tranquila para contar verdade.

Aos seis anos de idade e a caminho da casa grande no Morro do Livramento, Pedro Junqueira sofria com a decisão do pai. Sua mãe falecera e seu pai havia decidido por deixa-lo aos cuidados de Dona Maria José. Seu pai alimentava o sonho que ele entrasse para a política e para que isso acontecesse, estava disposto a deixa-lo com a tia para que o educasse e ele se tornasse um homem importante.

A vida no Morro do Livramento prometia ser difícil. Logo após a sua chegada, Pedro cria uma desavença com Joaquim, um dos agregados que sua tia mantinha na casa. Assim, como Joaquim, Joana também tinha total acesso à casa grande e os dois eram tratados como se fossem da família. Se estivesse na fazenda de seu pai isso nunca aconteceria. Escravos não tinham liberdade para andar pela casa.



Pedro deixou a casa da tia após uma estadia curta e foi para um colégio interno. Os anos passaram e Pedro é enviado a Portugal para cursar a faculdade de Direito. Seu pai mantinha o plano de fazer do único filho alguém importante. Mas essa não era a vida que Pedro imaginava para si. Boêmio, vivia à custa da mesada que o pai lhe enviava e aproveitando as festas. Em uma dessas ocasiões, na casa do músico Artur Napoleão, ele conhece Carolina Novais, uma moça que passou do momento de casar, após desilusões amorosas. Contadas algumas mentiras, Pedro começa um relacionamento com a moça. Mas Carolina acaba grávida e Pedro, com medo de assumir a responsabilidade e do que o pai seria capaz de fazer, decidi fugir.

Sozinha depois de ser abandonada pela família e mal falada pela sociedade, Carolina sofre um aborto e recebe a ajuda de Artur Napoleão, para sair de Portugal rumo ao Brasil. No Rio de Janeiro, Carolina tem a oportunidade de refazer a sua vida, sem precisar revelar o seu passado.


Enquanto isso, Pedro retorna ao Brasil a pedido de seu pai e acaba ocupando um cargo no governo, ao lado do Visconde do Rio Branco, a fim de ajudar com a elaboração e aprovação da Lei do Ventre Livro. Após o sucesso no seu primeiro trabalho no governo, em uma comemoração, Pedro reencontra Carolina, que agora casada com Joaquim Maria Machado de Assis, nada mais nada menos do que o desafeto da sua infância.

A rixa entre os dois só faz aumentar com a desconfiança de Machado de Assis, que desconhece o passado de sua esposa e percebe que há algum interesse de Pedro em ficar próximo dela. Pedro fica obcecado pela ideia de ter o “amor da sua vida” de volta. Ainda imaturo, egoísta e invejoso, acaba dividido entre ter de volta a mulher que ama e a acessão política. Apesar do erro que cometeu, Pedro acredita que Carolina ainda pertence a ele e a chance de ter uma família lhe foi roubada.


A leitura é empolgante e repleta de referências históricas. Há ligações com a vida de Machado de Assis e, como disse no início, com a história mais famosa do autor. No final, há uma clara alusão ao livro publicado com o título Dom Casmurro, do qual Pedro Junqueiro afirma que trata da história do escritor que nunca soube se Carolina Novais o teria traído. A história no geral acaba sendo bem gostosa de ler. E mesmo tratando do século XIX, a linguagem é fácil de ser compreendida.

Confesso que comecei a leitura com certa desconfiança. Quem acompanha o blog a mais tempo sabe o quanto gosto dos livros de Machado de Assis, então escolhi o meu time e saí em defesa do escritor que há muito tempo conquistou meu coração. Boa parte da leitura, foi fácil assumir esse papel. Pedro Junqueira é incapaz de reconhecer os seus erros e extremamente egocêntrico. É difícil confiar nas injustiças que ele diz sofrer. Mas coloco parte da culpa também na leitora que pode não ter sido completamente imparcial na avaliação.

No geral, o livro traz personagens marcantes, que não passam despercebidos. Um enredo envolvente e divertido. Afinal, quem não gostaria de saber o que de fato aconteceu com entre Capitu e Escobar. “O Homem que Odiava Machado de Assis” pode apresentar a verdade por trás de um dos clássicos da literatura brasileira.


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Comentários

  1. Aaaah já fiquei com raiva do Pedro! haha Caramba, que narrativa! Claramente podemos concluir que apesar da história ser do século XIX é como se estivéssemos contando uma história atual e que também os homens em nada evoluíram. Continuam sendo embustes. hahaha

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  2. Que lindo o layout de seu blog! Fiquei encantada!
    Eu nao conhecia essa leitura, mas fico imaginando quem odiaria tanto Machado de Assis. rs. Parece ser bem bacana a leitura.

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  3. O título do livro já me chamou muuita atenção! Também adoro Machado de Assis e fiquei logo curiosa sobre qual era a proposta desse obra. Gostei muito de ele explorar obras do autor, pois ainda disposta a discutir sobre os dilemas de Capitu, hehe Adorei a sua resenha! <3

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