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[Resenha] O Ano das Bruxas, de Alexis Henderson

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Em “O Ano das Bruxas” estaremos na cidade de Betel, um lugar isolado do resto do mundo. A cidade é cercada por muros e pela Mata Sombria que assombra os seus moradores. Em sua história, Betel enfrentou Lilith, junto ao seu primeiro Profeta, David Ford, derrotando o demônio. Desde então os Profetas que se seguiram tornaram-se a lei em Betel. O Protocolo Sagrado e as Escrituras Sagradas eram seguidos rigorosamente e qualquer pecado deveria ser expiado, seja com a penitências ou nas chamas da pira.

É nesse ambiente que conheceremos Emmanuelle Moore, uma jovem que nasceu marcada pelo pecado de sua mãe, morta após o parto. Ao crescer, Emmanuelle foi ensinada a seguir o Protocolo Sagrado, ser temente ao Pai, conforma-se com seu destino e ser obediente. Mas um incidente, a leva até a Mata Sombria, onde encontra com duas bruxas poderosas, que a presenteiam com o diário de sua mãe. Repleto de mensagens desconexas, desenhos e símbolos da bruxaria, Emmanuelle lê o diário em busca de respostas e para se aproximar da mãe que não conheceu.

Quanto mais Emmanuelle se aproxima da mãe, mas ela se afasta das Escrituras Sagradas. Em uma noite, ela escuta o chamado da Mata Sombria e retorna uma vez mais. Ela deveria temer aquele lugar, mas de alguma forma sente que pertence a ela. Desta vez, ao sair da Mata, a vida em Betel não será mais a mesma. Algo poderoso se aproxima e Emmanuelle teme que possa ter começado com ela e com o seu pecado. Agora, ela precisa concertar as coisas e aceitar as consequências das decisões que deverá tomar.





Eu comprei esse livro em dezembro do ano passado e peguei para ler assim que chegou. A leitura foi se arrastando e sequer consegui alcançar a página 100 do livro. Acabei deixando de lado para ler em outro momento, e foi assim que acabei voltando as suas páginas na metade do mês de abril.

Acabei surpreendida com a forma com que a leitura fluiu livremente. Diferente da primeira vez, as páginas foram passando sem me dar conta de que a história estava caminhando para a reviravolta. Emmanuelle é uma jovem que apesar do medo de descobrir quem ela realmente é, carrega muita força e a certeza de que é ela quem começou e deverá colocar um fim no mal que assola o seu povo. Ela terá de enfrentar o seu passado e as escolhas de sua mãe para entender a sua ligação com a Mata e com o mal que atingirá a cidade.

Em seu caminho, ela se aproximará de Ezra, o herdeiro do Profeta. Apenas pelo título que um dia carregará, Emmanuelle deveria ter se afastado do garoto, mas de alguma forma, ele acaba se tornando um amigo e acima de tudo, alguém em que pode confiar a sua vida. Juntos, eles levam a história de forma cativante. Cheguei aos últimos capítulos torcendo e, ao mesmo tempo, angustiada para saber o que aconteceria com eles. Pela forma com a leitura foi se encaminhando, em alguns momentos, tive medo do destino dos dois.

A aproximação entre eles acontece de forma inesperada e cresce aos poucos. Tanto Emmanuelle quanto Ezra enxergam a verdade por trás da Igreja e na crença do povo. As mulheres são vistas como objetos pertencentes a seus maridos, sem vontade própria e com a obrigação de servir. O Profeta é um tirano e manipulador. Ele está sempre a espreita, pronto para impor a sua vontade, e aqueles que o desafiam pagam pelos seus pecados ao serem queimados na pira.






O Ano das Bruxas” é um livro que traz duras críticas a sociedade e, facilmente, podemos enxergar a relação com os dias atuais. É um livro sobre a força da mulher e sobre a crença em pessoas que dizem agir em nome da vontade de algo maior. O Profeta age livremente e passa impune pelos seus pecados apenas pelo fato de ser o representante do Pai em Betel. Acima de tudo, esse é um livro sobre o poder de acreditar em algo, seja em uma entidade ou em você mesmo.

O final não poderia ter sido melhor. Tenho lido tantas histórias que se desenvolvem bem, mas no final o autor corre para expor o que levou até ali, que chega a ser decepcionante. Mas neste livro, a autora não se preocupou em jogar todas as informações de uma vez em cima do leitor, a história mantém o seu ritmo até chegar ao epílogo e deixando o final aberto para uma continuação. Espero ver mais sobre Emmanuelle e Ezra algum dia. Os dois são personagens que cativam logo de cara e gostaria de ver aonde eles chegarão seguindo o que acreditam.

É isso! Leitura concluída e favoritada. 💜

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