[Resenha] Nunca saia sozinho, de Charlie Donlea


Charlie Donlea, autor dos sucessos “A Garota do Lago” e “Não Confie Em Ninguém” está de volta com um thriller assustador e cheio de reviravoltas, dando continuidade ao livro ”Uma Mulher na Escuridão”, publicado no ano passado também pela Faro Editorial.

Estamos no verão de 2019, na Escola Preparatória Westmont, um internato conceituado na pequena cidade de Peppermill, Indiana. Uma escola de elite que não tinha uma única mancha em seu histórico. Os alunos eram tratados com rigor e preparados para enfrentar a vida. Mas algo estava prestes a acontecer. Um jogo sombrio acabou com dois alunos assassinados e um professor acusado. A cena do crime parecia um verdadeiro massacre. O corpo de Andrew Gross foi encontrado em meio a uma poça do seu próprio sangue dentro da antiga casa de hóspedes, que era utilizada pelos professores da escola. Enquanto o segundo corpo, de Tanner Landing, foi encontrado empalado no portão que dá acesso a casa de hóspedes. Uma imagem que jamais seria esquecida.

A casa estava abandonada há muito tempo. A escola tinha construído novas casas para abrigar os professores e o antigo casarão ficou esquecido. Com o tempo, os alunos, secretamente, passaram a ir até o local. Logo passou a ser o ponto de encontro para o jogo que poucos conheciam. “O Homem no Espelho” era apenas para os escolhidos e deveria ser mantido em segredo. Os alunos eram escolhidos com base em diversos desafios. Na noite de 21 de julho de 2019, aconteceria o último desafio. Seis alunos do terceiro ano iriam até a casa de hóspedes para uma noite decisiva.


Um ano depois, o caso da Escola Preparatória Westmont voltava à tona. Para polícia, o assassino já tinha sido encontrado, mas havia pontas soltas demais para confiar no resultado das investigações. Algo estava errado. A história atraiu alguns jornalistas, como Ryder Hillier e Mark Carter. Ryder estava no caso desde a noite dos assassinatos. Ela vinha investigando por conta própria e postando as informações no seu blog e canal no Youtube. E foi graças as suas matérias que outros jornalistas passaram a se interessar novamente pelo caso. Um deles é Mark Carter, que agora estava no comando do podcast “A casa dos suicídios”. Nele, Mark trazia um relato da tragédia que ocorreu na Escola Preparatória Westmont durante o verão de 2019, o resultado das investigações e as mortes que aconteceram em seguida. Depois dos assassinatos, os alunos que sobreviveram ao massacre voltaram à casa de hóspedes para se matar.

Com o mistério na mídia novamente, Lane Phillips, um dos melhores psicólogo forense e analista de perfis criminais, é contratado para participar do podcast de Mark Carter. Para Lane seria um caso excelente, mas ele sabia que mais alguém se interessaria pelos assassinatos: Rory Moore. Eles estavam juntos há anos e Rory tinha um enorme talento para reconstituir casos arquivados. Mais do que algo que ela sabia fazer, era quem ela é. Rory precisava dos casos para controlar a mente. Diagnosticada com espectro autista, comportamento antissocial, fobia social e agorafobia, era na reconstituição dos casos que ela colocava sua mente em ordem.

Uma vez em Peppermill, Lane e Rory vão atrás de mais rastros do assassino. Mas eles não estão sozinhos, poderão contar com a ajuda do detetive Ott e Ryder Hillier, que estão mais do que interessados em chegar ao fim dessa história. Eles logo irão descobrir que há mais segredos envolvidos nessa história do que poderiam imaginar.


Eu preciso que vocês saibam que eu me surpreendi demais com essa história. “Nunca saia sozinho” é um livro envolvente. Os capítulos vão se alternando entre os personagens e entre o que aconteceu no verão de 2019 e os resultados desse crime em 2020. Os capítulos são curtos e sempre terminam com algo que chame a nossa atenção para o capitulo seguinte. Não muito distante disso, os personagens também nos conquistam de cara. Lane e Rory já são velhos conhecidos para quem leu “Uma mulher na escuridão” (inclusive, você precisa ler este livro antes, se não quiser tomar nenhum spoiler no caminho). Os dois formam uma dupla perfeita. Além disso, o autor usa muito bem o fato de Rory ter espectro autista, de forma bem simples e direta ele nos faz enxergar mais do que um diagnóstico.

O mistério sobre o assassino, apesar de algumas vezes ter ficado em segundo plano, foi o que me instigou a não parar a leitura. Não que a leitura não estivesse boa, pelo contrário, mas os suspeitos que foram aparecendo e as teorias que fui criando para tentar encontrar o assassino me deixaram bastante curiosa para terminar logo.

Fiquei um pouco triste por não ter visto tanto da Rory e do Lane nessa história. Os dois são importantes para a conclusão do caso, mas há tantos pontos sendo abordados nessa história, que eles muitas vezes acabaram ficando um pouco de lado.

Já o final foi, no mínimo, chocante. Eu estava absolutamente certa de que sabia quem era o assassino e acabei tomando um balde de água fria nos últimos capítulos. Em nenhum momento desconfiei do verdadeiro culpado. Foi uma reviravolta muito bem criada para surpreender o leitor. E posso dizer que deu muito certo.


O que posso dizer para concluir?
Nunca saia sozinho” é mais uma prova do talento que Charlie Donlea em escrever boas histórias. Seus livros trazem personagens com histórias incríveis e bem construídas, além de uma boa dose de suspense. É impossível não acabar apaixonado por cada livro e desejar que o próximo chegue logo.

Por fim, deixo com você a escolha de ler e ser surpreendido com um bom livro ou sofrer com a curiosidade para saber o desfecho desse mistério.