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As lembranças de alguém que ainda existe


Já faz algum tempo desde a última vez em que me sentei em frente ao computador para escrever. É engraçado como coisas que costumavam ser presentes no meu dia a dia foram minguando, quase desaparecendo. Houve uma época em que eu adorava compartilhar as minhas leituras e alguns pedaços insignificantes da minha vida. Escrever era algo que me trazia conforto quando o fardo parecia grande demais para carregar. Era algo que ninguém poderia tirar de mim.

Mas a vida muda de acordo com decisões que tomamos ou que deixamos que outras pessoas tomem em nosso nome. Às vezes sequer temos escolha e vemos pedaços da nossa história sendo tirados de nós. E o que fazemos quando isso acontece? As variáveis são inúmeras, mas é certo que uma parcela escolha se proteger. Se esconder do mundo. Muitos, assim como eu, escolherão uma vida dentro do pouco que podemos considerar como “zona de conforto”. Como algo que conhecemos e consideramos imutável. Algo que permanecerá ali, independente das escolhas que façamos.

Em meio a essa busca, esquecemos que a vida é cíclica. Não importa o quão quietos consigamos ficar, não importa se optamos por não fazer absolutamente nada e deixamos apenas que o nosso corpo exista em um tempo e espaço... Nada disso mudará o fato de que tudo, tudo, tem um início e um fim. Essa é uma das verdades mais antigas na nossa história e, ainda assim, não compreendemos.

Manter um blog foi algo que me trouxe alegria e, ao mesmo tempo, trouxe a sensação de não ser boa o suficiente. A insegurança em não saber o que estava fazendo, se algum dia seria reconhecida, se eu realmente desejava esse reconhecimento ou se era apenas expectativas alheias, se alguém entenderia o que eu tentava transmitir... Tudo isso, me consumia. Eu vivia me equilibrando entre a certeza e a vontade de desistir.

Foi apenas em 2021 que fui obrigada a perceber o quanto havia deixado de lado, quanto da vida tinha se passado sem me dar conta. Perdi muito mais do que consigo contar. De certa forma, ainda sigo tentando colocar em números as baixas, como se, sem isto, não fosse capaz de seguir em frente. Talvez eu nunca consiga, mas cheguei à conclusão de que está tudo bem. Algumas pessoas chegam ao meio da vida inteiras, sem carregar fardos que não são delas. Enquanto algumas precisam entender, desde muito novas, que o fardo de outras pessoas seguirão conosco até que possamos aprender a deixar ir. Ainda me parece um tanto injusto nascer com um saldo negativo.

Eu ainda não sei aonde essa caminhada irá me levar, se vou chegar ao final do que me cabe aqui e como estarei quando enfim puder descansar. Mas tenho dado um tempo para minha mente. Ela passa dias e dias imaginando as possibilidades que nunca acontecerão, e não posso seguir em frente enquanto não aprender a viver o presente, sem tentar corrigir o passado ou prever o futuro.

Por ora, é tudo o que posso dizer. Não sei se algum dia vou voltar a sentir vontade de me sentar e escrever. Estou tentando levar um dia de cada vez. Apenas queria dizer que tenho boas recordações do que esse espaço já foi um dia. Não apenas essa página como o mundo literário em si. Já fomos versões melhores do que somos hoje, mas o que importa é que não desistimos de seguir em frente, mesmo com pedaços faltando dentro de nós.

Como o meu pé de manjericão tratou de me mostrar: o inverno também floresce.







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Comentários

  1. Oi, Michelly!
    Acho que em meio a tantos ciclos que vivemos e viveremos, o que nos resta é realmente buscar pelos espaços que nos fazem bem...
    O mundo dos blogs nunca vai voltar a ser o que já foi, mas permanece aqui, vivo. Assim como a vida vai sempre mudar. E a parte boa é que não importa quando você vai sentar para escrever de novo, vai ser o momento certo!

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    Respostas
    1. Oi, Luly!!
      Tenho a impressão de que vivemos remoendo o que foi quando poderíamos viver as mudanças que são inevitáveis.

      Muitíssimo obrigada pela sua mensagem!

      Beijos!

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