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[Resenha] O Melhor da Amizade, de Lucinda Berry

Sinopse: Uma tragédia com adolescentes começa a mostrar detalhes inconvenientes da vida naquela comunidade; afinal, todo mundo tem segredos.

Lindsey, Kendra e Dani são grandes amigas, mas enfrentam o maior pesadelo de todos os pais quando um trágico acidente atinge seus filhos, dei­xando um morto, outro em coma e o terceiro traumatizado demais para falar. Tentando lidar com a pior noite de suas vidas, as três mães decidem investigar os eventos para entender o que de fato ocorreu.

Como algo tão horrível pôde acontecer naquele lugar seguro, tranqui­lo, onde pensaram que seus filhos estariam sempre protegidos?

Então elas descobrem que o acidente era apenas um fio solto. Ao pu­xá-lo, muitas verdades vão sendo reveladas. À medida em que mais segre­dos vêm à tona, uma névoa de dúvidas e suspeitas ameaçam envenenar suas famílias. E a amizade vai se deteriorando quando uma mãe decide ir a fundo enquanto as outras consideram essa investigação dolorosa demais.


Dani, Kendra e Lindsey são amigas desde o colégio. As três cresceram juntas, terminaram os estudos e foram para a faculdade sem deixar que nada atrapalhasse a amizade entre elas. Tantos anos depois, a ligação entre elas continuava forte. Para completar o laço, seus três filhos mais velhos também se tornaram grandes amigos e viviam juntos. Tudo parecia bem até uma noite trágica.

Caleb, Sawyer e Jacob estavam reunidos na casa de Caleb para jogar videogame a noite toda, quando Kendra escuta disparos vindo da casa de Caleb. Desesperada para saber do filho, Kendra corre até a casa e se depara com uma tragédia: Sawyer, seu filho, estava morto e Jacob gravemente ferido. Caleb é a única testemunha do que aconteceu na casa e está em estado de choque, sem conseguir conversar com ninguém. A polícia começa a investigar e logo segredos começam a vir a tona. Os três garotos escondiam partes de suas vidas enquanto seus pais acreditavam estar no controle de tudo o que acontecia com eles. Até mesmo a amizade entre as três mulheres não parece tão perfeita quando os segredos que elas tanto lutaram para esconder e histórias que elas preferem esquecer começam a aparecer.



Kendra decide investigar por conta própria o que aconteceu naquela noite, como uma forma de garantir que seu filho não fosse lembrado por ter participado de alguma brincadeira entre adolescentes que resultou em um grave acidente. Kendra sabia que Sawyer não faria esse tipo de bobagem e pensar que todos estavam chamando o que aconteceu de acidente a estava consumindo.

Ao mesmo tempo, Lindsey não tinha condições de pensar em mais nada. Seu filho mais velho estava em uma cama de hospital sem qualquer perspectiva de sobreviver. Ela não conseguia aceitar que perdera o filho e ela não desistiria dele, afinal, é o que uma mãe deveria fazer.

Já Dani, apesar de Caleb ter sobrevivido sem nenhum machucado físico, precisava lidar com um adolescente instável que não conseguia mais se comunicar com ninguém. O garoto passava o dia chorando e gritando, mesmo com o uso dos remédios receitados pelos médicos. Além disso, havia Bryan, seu marido, igualmente instável e que não era confiável. Bryan era agressivo quando as coisas não eram feitas do jeito que ele queria. Lidar com ele e com a situação de Caleb ao mesmo tempo estava ficando insustentável.

Dani, Kendra e Lindsey terão de lidar com os seus próprios segredos e dores enquanto lutam para manter suas famílias em pé. Resta saber se a amizade entre elas sobreviverá a essa tragédia.




O Melhor da Amizade” reafirma que nem tudo o que parece é. Apesar da proximidade entre Dani, Kendra e Lindsey, fica claro que cada uma sente que precisa esconder pedaços de suas vidas para não serem julgadas. Dani não tem coragem de contar sobre seu marido e sobre o fracasso do seu casamento. Das três, acho que foi a que mais me doeu acompanhar. Seus segredos não foram baseados na vaidade ou no egocentrismo, mas em algo mais profundo. Ser uma mulher vivendo um casamento abusivo é algo que eu não consigo sequer imaginar como deve ser difícil agir e dar o primeiro passo para por um fim na relação.

Kendra é uma pessoa totalmente egocêntrica e foi a que menos me identifiquei. Ela perdeu um filho e está sofrendo por isso (estranho seria se ela não sentisse a dor do luto). Mas, enquanto busca por respostas, ela passa por cima das amigas que também estão lidando com a tragédia. Além disso, detalhes da vida dela vem à tona e demonstram que essa atitude não é apenas porque ela está sofrendo com a perda de um filho, é algo da personalidade dela. Então foi difícil gostar da personagem.

Já Lindsey é o tipo de mãe que se esforça para mostrar perfeição, do tipo que diz saber tudo sobre os filhos e que é amiga deles. Ela não aceita que existam detalhes na vida dos filhos que ela não conhece. Quando as histórias sobre Jacob começam a aparecer, ela se sente culpada por não ter visto e ajudado o filho. Mas é fácil se aproximar da personagem. Ela é a que está vivendo a pior das situações. Kendra perdeu o filho naquela noite e Dani ainda tem o filho por perto. Mas Lindsey criou a esperança de ver o seu filho novamente apenas para os médicos afirmarem que a situação é irreversível. A espera só torna as coisas piores.




Os capítulos vão alternando entre o ponto de vista das três amigas e traz uma narrativa que vai prendendo a sua atenção com a expectativa do que vai acontecer em seguida. Apesar de sentir a leitura foi um pouco lenta, gostei da história. A autora soube desenvolver de modo a tornar tudo real o suficiente para que o leitor sentisse cada pedaço do que foi escrito.

É uma história sobre a amizade, mas acima de tudo, para demonstrar que todos carregamos segredos e momentos que não queremos compartilhar, mesmo com pessoas que consideramos nossas melhores amigas. Nada é perfeito, não importa o quanto você se esforce para parecer. O segredo está em saber o que fazer com aqueles pedaços da nossa vida que não gostamos.




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